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COVID-19 e mercado de trabalho: o que muda?


Origem e ascensão da doença


O ano de 2019, por muitos marcado como o ano das catástrofes e adversidades, nos surpreendeu pela última vez com o desencadeamento do novo coronavírus, que teve sua origem no território chinês. A doença respiratória COVID-19 - resultante do vírus -, devido a circulação de pessoas e o mundo globalizado, em poucos meses percorreu os continentes e infectou milhares de pessoas dos mais variados países.


A Organização Mundial de Saúde (OMS), atenta a todos os alertas desde o primeiro dia, identificou uma pandemia, levando em consideração não a gravidade da doença que o vírus causa, mas sim os fatores geográficos que envolvem o tema. Para além desse ponto, é evidente que há dois grupos de atenção em face a esse vírus, que são as pessoas idosas e as pessoas com doenças preexistentes como hipertensão, asma e outras doenças crônicas. Tais pessoas caracterizam um grupo que chamamos de “risco”, visto que as suas condições levam a manifestações mais graves do vírus.


No Brasil, o primeiro caso da doença ocorreu no mês de fevereiro e o Ministério da Saúde, aliado aos governos estaduais, tem atuado incessantemente desde então para reduzir ao máximo o agrupamento de pessoas, passeios, atividades com contato, uma vez que a taxa de transmissão do coronavírus é muito alta.


Impactos diretos no mercado


Nesse contexto, o fator de impacto do vírus não é, necessariamente, sua letalidade, mas sim seu caráter de contágio. Como seus vetores podem repassá-lo apenas estando em mínima convivência, para retê-lo é necessário minimizar o contato coletivo. Com a quarentena decretada em 10 dos 26 estados brasileiros, a população passou por uma transição de ambientes e relações e, consequentemente, a economia e o mercado de trabalho mudaram significativamente para grande parte dos brasileiros. Contudo, as pessoas que trabalham com os empregos considerados essenciais, tais como médicos e farmacêuticos, bem como os empregados que não foram dispensados por seus empregadores, como domésticas, não sofreram alteração direta na dinâmica de trabalho.


Para conter a disseminação, pequenas e grandes empresas fecharam suas portas e transferiram o local de trabalho para suas casas. Com isso, o isolamento social necessário acarretou uma mudança na relação do trabalhador com o seu emprego, já que esse começou a trabalhar remotamente, adotando a política de home office. Porém, o afastamento não é a única medida preventiva adotada: a antecipação das férias regulares e a adoção de férias coletivas também foram ações tomadas pelos empregadores.


Além disso, independentemente do local de trabalho, diversas empresas também passaram a orientar seus funcionários a higienizar suas mãos - seja com água e sabão ou álcool em gel - e se atentarem à limpeza extra do escritório, caso este ainda esteja operando. Além disso, as corporações buscam restringir as viagens à trabalho de funcionários e aqueles que já estão viajando são aconselhados a não retornarem ao estabelecimento por 14 dias corridos.


Ações frente à crise


Após a compreensão da necessidade das mudanças no mercado de trabalho, passamos a buscar formas de lidar com elas - as questões de liderança, de comunicação e até mesmo psicológicas são constantemente abordadas. Desde o início, o Ministério Público do Trabalho salientou a importância do papel das empresas para gerir crises na saúde pública, entretanto, devemos compreender o caráter mais amplo dessas mudanças. De acordo com a psicóloga Bela Fernandes, da consultoria Aylmer Desenvolvimento Humano, é essencial que o líder preze pela proteção à vida e que tenha uma inteligência superior sobre o que está acontecendo. Dessa forma, ele é capaz não só de propor uma organização efetiva mas, principalmente, fazer com que a comunicação seja aberta e sincera o suficiente para que haja um ambiente de trabalho acolhedor e confortável.


Sabe-se que o coronavírus tem forte impacto na saúde mental devido às implicações psicológicas agregadas pela situação mundial. As empresas e seus líderes precisam contribuir para que não haja um estado de pânico e, mais que isso, ter responsabilidade psicológica para garantir a produtividade do mercado de trabalho como um todo.


A fim de auxiliar pessoas estudando e trabalhando de casa, alguns serviços online e empresas do ramo da tecnologia estão oferecendo melhorias e gratuidades em produtos até então pagos, como é o caso da Adobe. A empresa disponibilizou o acesso gratuito aos aplicativos da Creative Cloud para alunos e professores e, para escolas, empresas e agências governamentais, oferece acesso gratuito à Adobe Connect, aplicativo de conferências online. Ainda no que diz respeito à facilitadores do home office, a Google aprimorou e passou a oferecer acesso gratuito aos recursos de videoconferência do Hangouts Meet para clientes G Suite.


Para além do âmbito empresarial, a conjuntura também acarretou na necessidade de auxílio a trabalhadores autônomos, visto que estes perderam grande parte de, se não todo, seu rendimento mensal. O Ministério da Economia anunciou um auxílio mensal emergencial de R$200 a fim de garantir alguma renda a profissionais autônomos. Entretanto, tendo em vista que o valor corresponde a menos de 20% do salário mínimo, é perceptível que também são necessários outros tipos de iniciativa.


Por causa disso, há um forte incentivo à adesão da campanha “renda solidária”. Esta se baseia na lógica de que quem tem salário fixo deve continuar pagando os trabalhadores autônomos que tem costume de contratar, mesmo que os serviços não sejam prestados. A ajuda comunitária também pode ser vista em menor escala, como no caso de grupos de moradores que se voluntariam para cuidar de crianças cujos pais não têm a opção de fazer home office.


Mercado e Futuro


A crise do coronavírus, além das lições que nos ensina diariamente tais como empatia e compaixão, traz de volta à tona o debate controverso que circunda o tema “trabalho remoto”, que surgiu com o avanço das plataformas digitais e que vem para caracterizar um cenário inovador nas relações de trabalho.


Por um lado da discussão, há as expectativas de que a realização de atividades no espaço de coworking ou de home office - formas mais claras de trabalho remoto atualmente - tornam mais adaptável, prazerosa e produtiva a rotina de trabalho. Nesse panorama, o empregado monta o seu próprio cronograma, de acordo com as suas metas e com a sua dinâmica pessoal, o que, consequentemente, o torna mais eficiente. Além desse ponto, os gastos com a operação dos projetos e também com a manutenção dos espaços de trabalho tendem a serem reduzidos.


Sob outra perspectiva, no entanto, existe o questionamento acerca do acompanhamento e da supervisão das horas trabalhadas e quais seriam as consequências salariais referentes. Além de também ser um fator decisivo para a baixa produtividade do funcionário, que dessa vez enxerga sua casa, por exemplo, como lugar para descansar e não para “funcionar”.


As mudanças mais “radicais” no mercado, de modo geral, demandam tempo de aperfeiçoamento e ainda podem ser observadas como privilégio de um grupo seleto. Quando há essas modificações, há obstáculos a serem superados e oportunidades futuristas a serem agarradas. E isso é nítido. Mas nosso maior objetivo como humanidade, nesse instante, é lutar em prol da prevenção contra a COVID-19. E, para isso, é fundamental #FICAREMCASA.


- Carolina Peçanha, Flora Nolasco, Gabriela Tapajós e Lara Campos


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Gávea Rio de Janeiro – RJ

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