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Filter Bubble e o isolamento intelectual

Já te aconteceu de alguém te mostrar uma notícia importante que você, surpreendentemente, não havia visto ainda? Isso tem se tornado muito mais comum nos últimos tempos para os usuários da internet, onde cada um se depara com conteúdos diferentes. Como você busca por informações?


Poucos de nós entramos em contato com notícias através de uma busca concreta. O comum é consumir e interagir com elas quando as encontramos através dos sites que acessamos. Ao invés de ativamente utilizarmos a rede com a intenção de nos educar sobre um assunto específico, é mais comum explorarmos nosso feed do Facebook, por exemplo, e clicarmos no que nos atrai. Ou seja, o usuário é cada vez mais passivo, sem perceber. São as notícias e matérias que chegam até nós.


Porém, o que chega para você não necessariamente é o que chega para o outro. E isso se dá pelo nosso próprio comportamento na rede. Por exemplo, isso pode acontecer se uma pessoa com visões políticas mais progressistas começar a interagir com notícias e postagens de visões conservadoras. Por mais que esse indivíduo só queira entrar em contato com outras ideias, o Facebook irá compreender que esse é o novo interesse do usuário e irá cada vez mais expor em seu feed publicações com essa visão.


Isso se dá porque essa rede social utiliza os chamados algoritmos. Eles são códigos de computador programados para seguir instruções, processar os dados que apresentamos a eles e então realizar ações com base nesses. Podem monitorar suas curtidas, analisar o conteúdo que elas abordam e assim oferecer mais postagens de mesmo tema.


Logo, o que parece inofensivo, nosso ato de clicar e compartilhar, é na verdade o que rege o conteúdo que chega até nós. Os algoritmos reconhecem o que mais nos atrai e como nos comportamos na internet. Assim nos proporcionam uma experiência personalizada, onde o conteúdo que ele acredita ser mais relevante para nós é selecionado em detrimento de outros. O chamado filter bubble (bolha de filtro) é justamente essa seleção que faz um recorte do que ela assume que queremos ver.


O termo foi criado por Eli Pariser, que viveu justamente o exemplo dado acima, do homem, cujos valores eram progressista e que viu seu feed se tornar conservador. Ele enxerga o fenômeno da bolha como algo perigoso. Isso porque ela reduz expressivamente o contato com o diferente, com visões contrárias às do usuário, dando uma impressão de que todos compartilham da mesma opinião. É o efeito echo chamber (câmara de eco) em que o diferente é excluído da realidade e todas as postagens passam a concordar entre si, gerando um isolamento intelectual.


Corremos o risco de termos nossa noção de realidade deturpada, assumindo que todos a nossa volta (online) pensam como nós, ignorando outras perspectivas. Esse fenômeno colabora então para polarizações, sejam elas políticas ou não, em que todos acreditam estar do lado da única verdade, contribuindo para uma indisposição ao diálogo.


A sensação de isolamento é também a sensação de proteção. Dessa forma, estamos nos restringindo cada vez mais de expandir nossos conhecimento sem saber, entrando em um looping de informações, que podem ser nocivas a nossa análise crítica.


Quer saber formas de combater a bolha?


1- Ative o modo “mais recentes” no Facebook, ao invés de ver o feed pelo filtro “mais relevantes”. Isso irá contribuir para diminuição dessa repetição de concordância entre as postagens. Vá em “feed de notícias”, clique nas três bolinhas laterais e selecione o modo. https://pt-br.facebook.com/help/218728138156311?helpref=faq_content


2- Teste os algoritmos assim como Eli Pariser fez: curta várias vezes o que não costuma a te interessar e veja seu feed ir mudando. Confunda-os e se beneficie saindo da bolha.


3- Painel de Bolhas do Meio é uma página em que são compiladas as principais matérias da semana lidas por cada espectro político, considerando o que cada bolha compartilha. https://apps.canalmeio.com.br/painel/bolhas/


4- Navegue em modo anônimo para que o conteúdo que chegue até você não passe por uma curadoria. Essa técnica não funciona para as redes sociais, que tem muito bem mapeadas as suas tendências, mas pode funcionar quando for realizar uma pesquisa sobre algum determinado assunto. Ao navegar de forma anônima, os sites de busca não tem qualquer informação sobre você, então irão te apresentar resultados mais abrangentes. https://support.google.com/chrome/answer/95464?co=GENIE.Platform%3DDesktop&hl=pt


5- Quer saber mais sobre a bolha de filtro? O próprio autor do termo escreveu um livro sobre chamado “O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você”. Além disso, ele fala sobre o fenômeno em um TED Talk: https://www.ted.com/talks/eli_pariser_beware_online_filter_bubbles?language=pt-br


6- E quando você sabe das inclinações de uma postagem mas tem dúvida sobre a veracidade dela? Saiba como identificar fake news clicando aqui. http://empresajunior.com.br/2018/10/24/7-dicas-para-identificar-fake-news/




– Rafaela Maciel