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Por que grandes startups ainda não lucram?

Startups tem se consolidado como a mais forte tendência de formato de negócios atuais. Grandes empresas, com produtos já intensamente consumidos no mercado, continuam nesse modelo que sobrevive de investimentos. O Spotify, por exemplo, após 8 anos de atuação, revolucionou a forma como a população consome música, provocando uma mudança de comportamento global – apesar de ainda não saber lucrar com isso. Para entender o fenômeno, vamos entrar um pouco no contexto das startups.

Mas antes, o que é uma startup?

Startups são empresas que estão começando e são consideradas disruptivas em algum sentido. Geralmente elas surgem para resolver um problema existente em um determinado segmento de mercado. Pode ser um produto totalmente novo, um novo jeito de realizar um serviço ou ambos com uma tecnologia nova.Ou seja, ela é uma empresa que inova no seu segmento de mercado.


Por que elas surgiram?

Por causa dos avanços tecnológicos nos anos 90, do boom da internet e da nova mentalidade da população surgiram as primeiras startups nos EUA. Depois desse início, começamos a ver este tipo de empresa de maneira cada vez mais comum. Isso se dá principalmente por causa das gerações mais recentes (Y e Z), que têm uma cabeça muito diferente das anteriores. Este grupo de indivíduos tem lidado com o tempo, o espaço e o mercado de outra forma, pois se tornou mais acelerado, mais globalizado e mais exigente.


Estes indivíduos, que já nasceram em um meio tecnológico, querem tudo cada vez mais rápido, automatizado e sustentável. Eles são muito mais rigorosos com as marcas atuais e, caso nenhuma supra uma necessidade pessoal, eles têm autonomia suficiente para criar uma que o faça.


Como funciona o negócio de uma startup?

Tudo começa com a identificação de problemas em variados mercados. Estuda-se o problema e como resolvê-lo. Depois de um brainstorm, há a seleção de ideias, da qual sairá uma que será colocada em prática.


Depois de ter a ideia, é preciso começar a testá-la e aprimorá-la. Criando, assim, o MVP (Minimal Viable Product) para funcionar em um pequeno mercado de amostra. Nesta fase, a startup está buscando reunir grande quantidade de clientes, não tendo uma fonte de receita que compense seus custos. Esta é uma fase na qual não se ganha lucro e nem se tem muito poder de negociação.


Idealmente, chega um momento em que a empresa ou “morre”, ou começa a dominar o mercado no qual está inserida. Quando isto acontece, o poder de negociação aumenta e isso é muito importante para que haja foco na qualidade do produto. Como exemplo, temos a Uber que em seu início precisava de motoristas para funcionar. A plataforma não podia exigir muito dos seus condutores, pois era preciso reunir um grande número deles para o funcionamento do aplicativo. Anos mais tarde, a empresa virou um fenômeno mundial e os próprios pilotos estão percebendo a perda que é estar de fora. No final, a Uber pôde exigir mais deles para melhorar a qualidade e agregar valor ao serviço. Isto só ocorreu porque investiram muito na atração e fidelização de um banco de clientes.


E o dinheiro?

Há uma movimentação para investir em startups, por muitas fazerem sucesso notável, causando a impressão de que esse sucesso envolve grande lucro. Porém, o que podemos identificar é que são empresas nas quais precisa-se de ainda mais estratégia, investimentos e paciência para esperar o retorno. Muitas, inclusive já consolidadas, podem levar anos até produzirem receita.


Vários fatores influenciam esta dificuldade e um deles é fato de que muitas startups não pensam em um modelo de negócios logo de início. Elas surgem de uma ideia que pretende resolver um problema ou suprir uma necessidade antes de ter uma estrutura de ganhos em cima disso. O WhatsApp, por exemplo, surgiu em 2009 e até pouco tempo não tinha uma forma de lucrar com o modelo de negócio. Surgiram várias notícias de que ele se tornaria pago, mas nunca houve realmente uma forma de monetização própria. Ele só se sustenta, atualmente, por ter sido comprado pelo Facebook – que tem seu próprio modelo de lucratividade.  


Além disso, essas novas marcas são criadas de maneira muito disruptiva e, geralmente, são as primeiras a realizar determinado serviço. Por exemplo, se for criada hoje uma nova marca de sapatos, há histórico e dados provenientes de outras do mesmo segmento para embasar decisões. Já com a maioria das startups, o comum é surgir a ideia de criar um aplicativo de compartilhamento de sapatos em um mercado onde isso nunca aconteceu antes. Sendo assim, não há quase nenhum dado no qual embasar as tomadas de atitude. Essas novas empresas estão surgindo a partir de uma pessoa que acredita num ideal e não necessariamente baseadas em dados estatísticos. Isto pode ser um obstáculo porque o negócio das startups acaba sendo muito mais arriscado. Como a maioria baseia seus ganhos iniciais a partir de investidores, é preciso se destacar muito e gerar muito valor agregado para ser atrativa a eles.


Outro fator que influencia na lucratividade é o fato de serem muito escaláveis – uma característica forte neste tipo de empreendimento. Elas têm um ritmo muito acelerado de crescimento. A maioria deste tipo de empresa começa sem o foco na receita e sim no volume (usuários, consumidores, etc). Depois, muitas vezes, o lucro não cresce na mesma proporção que o número de clientes. Sendo assim, estão sempre demandando mais recursos para sustentar tal crescimento e, consequentemente, não geram lucro em um curto (e às vezes até médio) prazo.


Por todos estes aspectos, percebe-se que o mundo das startups não é fácil e exige muita técnica e visão de longo prazo. É preciso estar sempre preocupado com a geração de valor na sua empresa e em dominar o segmento no qual foi inserida. Isto pode ser feito a  partir de estratégias que façam seu produto/serviço fazer parte do cotidiano das pessoas. Lucro, então, não é a prioridade nos primeiros anos das startups pois ele é limitado a uma visão de curto prazo e é preciso ser visionário nesse mercado.


Nós indicamos 2 livros que talvez ajudem no desenvolvimento de dificuldades iniciais na construção da sua startup:


  • Startup Enxuta, Eric Ries: um livro objetivo sobre um novo jeito de olhar os conceitos de administração para empresas.

  • De Zero a Um, Peter Thiel: uma visão mais estratégica e de economia baseada na experiência e com grande foco na concorrência do mercado. O livro conta sobre como formar um negócio do zero.




– Júlia Bechara