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Por que o Rio de Janeiro alaga?

E de que forma podemos diminuir o impacto das enchentes?


As chuvas no Rio de Janeiro têm sido uma preocupação para os moradores da cidade. Elas costumam desencadear apagões, queda de árvores, alagamentos e até mesmo mortes. Muitos ficaram abalados com a notícia do início do mês de fevereiro deste ano: uma tempestade com ventos de mais de 100 km/h deixou sete mortos. De primeira, costumamos culpar o poder público por tragédias como essa, por este não investir da maneira que deveria em infraestrutura. E estamos errados? Não! Mas existem outros elementos que contribuem para que o Rio alague?


Existem fatores históricos, ligados a hábitos da população e à estrutura da cidade, que a tornam mais suscetível a alagamentos. O Rio de Janeiro é completamente envolto pela natureza e afetado pelos fenômenos que ela provoca. Não podemos controlá-los, mas de que forma podemos viver em harmonia com eles? Estamos falando de uma cidade que cresceu entre montanhas e vales, e durante muito tempo essas eram as áreas ocupadas pela população, no atual centro da cidade. Muitas regiões, que originalmente eram cobertas por lagoas e manguezais, foram aterradas para viabilizar os planos de expansão do Rio da época.


Você conhece a história do Morro do Castelo? Foi um morro que cobria grande parte do que hoje é o centro da cidade. Ele foi desmontado e toda a terra retirada dele foi usada para aterrar a orla do centro e parte da Zona Sul do Rio. Por causa de tantas áreas aterradas, o Rio de Janeiro é coberto por asfalto e concreto, dois materiais inimigos da natureza. Eles não permitem que a chuva seja absorvida pelo solo, ou seja, não o deixam respirar e estar em contato com a água, relação essencial para meio ambiente. Além disso, o concreto faz com que a água deslize mais rápido e se alastre para áreas vizinhas.

A “solução”, que deveria justificar a quantidade de asfalto e concreto nas vias da cidade, seria as tubulações de escoamento de água – que encaminham a água da chuva que retém para o mar -, mas o estado delas também é uma questão. Elas não dão conta de escoar o volume das chuvas que caem na cidade – principalmente no verão e em períodos de El Niño – e transbordam. Mas as coisas poderiam ser diferentes se implantássemos um escoamento alternativo.


Você já ouviu falar em asfalto poroso? É uma solução pouco conhecida, mas possível, para substituir o asfalto convencional. A Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) fez estudos sobre o assunto e constatou que esse tipo de pavimento – que se assemelha à areia da praia – absorve a água da chuva com facilidade. Assim, o asfalto se torna um pouco mais permeável. Essa alternativa ainda é um experimento, mas também é uma esperança para a redução do impacto das enchentes. Só faltam os investimentos e a adoção do método por órgãos públicos e grandes empresas.


Falando em alternativas para reduzir o efeito dos alagamentos, também existem algumas soluções mais simples para esse fim. Muito além da reeducação da população – que, claro, é  fundamental – quanto ao lixo que ela despeja nas ruas, também existem outras ideias fora da caixinha que podem diminuir os efeitos negativos da chuva no Rio de Janeiro.


Quantos espaços verdes existem no bairro onde você mora? Poucos? Bom, a vegetação é a melhor forma de evitar que locais fiquem cheios d’água, exatamente pela sua capacidade de absorção. A plantação de grama em locais públicos é uma opção. E, para quem tem uma casa, ao invés de transformar o quintal em uma área cimentada, por que não torná-lo uma área verde? Quanto mais vegetação, melhor!


E quanto mais iniciativas individuais sustentáveis, melhor também. Os piscinões são reservatórios que drenam e armazenam a água da chuva até que possam encaminhá-la para as tubulações de escoamento. Eles são uma das melhores opções para escoar a água da chuva. Mas como podemos levar os piscinões pro nosso dia a dia? A partir dos minipiscinões, que podem ser construídos em prédios e casas. Eles tem uma dupla utilidade: evitam inundações e são uma forma de reutilizar essa água para serviços domésticos.


Mas para além do que nós mesmos podemos fazer em nossas casas, o que falta para que essas medidas – algumas simples, outras que exigem um pouco mais de investimento – sejam colocadas em prática pelo poder público e deixem a população mais segura? Em dois anos, o Governo Municipal do Rio aplicou apenas 22% da verba disponível para o controle de enchentes e contenção de encostas – dos 731 milhões de reais aprovados, apenas 166 milhões foram utilizados. Ficou indignado? Pois bem, em 2017, 22 milhões que deveriam ser destinados à Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) foram aplicados em publicidade. Ou seja, continuam ocorrendo atos que contribuem para os alagamentos.


Nos sentimos impotentes diante de dados como esses, porque, infelizmente, não podemos transformar a infraestrutura do Rio de Janeiro com nossas próprias mãos. Mas quando somos responsáveis com o meio ambiente no nosso dia a dia, passamos a ter a consciência limpa quanto as nossas ações.  Nos sentimos cada vez mais confiantes para atuarmos como agentes de mudança, cobrando iniciativas do poder público que tratem a infraestrutura da cidade, aliada à sustentabilidade, como uma de suas prioridades.




– Maria Cecília Veloso

Rua Marquês de São Vicente, 225
Gávea Rio de Janeiro – RJ

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