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Verticalização dos vídeos: Tendência no mercado audiovisual

Contexto histórico

Até por volta dos anos 50, o conteúdo audiovisual era produzido em um formato de tela retangular, quase quadrado, chamado fullscreen. Desde então, começamos a aumentar a largura e reduzir a altura das imagens. O formato horizontal do HD e do full HD permitem que o produtor de conteúdo audiovisual crie imagens que capturem mais elementos da paisagem. Além disso, nossa visão ocidentalizada é treinada para lermos na horizontal, já que estamos acostumados com essa forma de leitura desde sempre.

Com o passar dos anos, continuamos reproduzindo esses conteúdos em uma proporção mais horizontal. Entre 2016 e 2017, passamos a assistir mais vídeos pelo celular. De acordo com um estudo da Kantar, o uso de smartphones para assistir vídeos aumentou 25% nesse período. Entretanto, mantivemos o formato tradicional de paisagem, exigindo que o modo de usar o aparelho fosse diferente, virando ele de lado. Porém, um estudo da MediaBrix apontou que menos de 30% dos usuários de smartphones virariam o aparelho para assistir um anúncio em vídeo e dos que viram, assistem em média 14% do vídeo total.

A mudança

Por volta de 2013, o Snapchat se popularizou no mundo todo como uma ferramenta de troca de mensagens por imagens. Logo, começou a produção de conteúdo para o aplicativo, com grandes marcas como Cosmopolitan e Vogue. Com a adesão de milhares de usuários, que abraçaram o formato retrato como forma de produzir e consumir conteúdo, o Instagram começou a investir nessa tendência, lançando a ferramenta dos Stories. Ambos os recursos traziam uma forma rápida e prática para gravar os vídeos, tornando desnecessário virar o celular.

Com o tempo, passamos a observar uma movimentação da produção de conteúdo audiovisual no formato vertical. Mais para frente, quando o IGTV foi lançado, como uma nova ferramenta de assistir audiovisual no formato, houve uma dicotomia entre as pessoas que achavam que a ferramenta seria o futuro e as que não acreditavam que seria aderida pelos usuários. Até hoje vemos essa dualidade de posições, mas já estamos em um cenário no qual as pessoas estão se acostumando com o vertical. Até o YouTube, que historicamente exibe vídeos horizontais, sentiu a necessidade de, pelo menos, facilitar a postagem de verticais, sem deixar a borda preta dos lados.

O formato é a mensagem

Marshall McLuhan, conhecido teórico da comunicação, dizia que “o meio é a mensagem”, ou seja, o meio no qual nos comunicamos é parte do conteúdo transmitido. Dessa forma, os vídeos verticais podem ser pensados como algo mais espontâneo e do momento, mais centrado em um elemento específico, enquanto a produção horizontal se mantém como um conteúdo mais denso, ou que pode ser transmitido para assistir em outras telas. O vídeo horizontal abre possibilidades para capturar elementos além do objeto central da imagem, tendo mais liberdade para brincar com a cenografia. Por outro lado, os vídeos verticais tornam a filmagem mais pessoal e focada em um objeto ou elemento.

Além disso, o autor também dizia que nenhum novo meio anula o anterior, mas eles se complementam. Pensando assim, podemos entender a tendência do omnichannel, que é a estratégia de estar presente em várias plataformas integradas entre si. Ou seja, estar presente ao longo de toda a experiência do usuário, que utiliza essas plataformas em momentos diferentes e, ao estar presente em todos esses momentos, sua marca consegue acompanhar o público. 

No ano passado, o Spotify começou a lançar vídeos verticais exclusivos na sua plataforma. Vários artistas já se movimentaram, como Anitta, Shakira, Billie Eilish… E a artista Taylor Swift, em 2018, lançou o video clipe de Delicate na plataforma de streaming e no YouTube. Os dois vídeos eram bem diferentes entre si: o horizontal era uma peça mais produzida e com mais elementos e cenários diferentes, enquanto o vertical, gravado por ela mesma, era com foco na cantora e era bem mais simples e pessoal. Demonstrando exatamente a questão da diferença e da complementaridade dos meios.

O futuro

Um estudo da Wibbitz identificou que, ao postar mais conteúdo vertical, o alcance dos vídeos no Facebook aumentou em 130%. Já está se tornando parte do cotidiano das pessoas consumirem todo tipo de conteúdo no formato do celular. Esse mesmo estudo identificou um aumento no engajamento e no alcance em plataformas como Facebook e Twitter em vídeos nesse formato, e a tendência é, cada vez mais, os conteúdos se centralizarem nos smartphones, que já se tornaram uma extensão de nós mesmos. 

O que você acha dessa tendência? Se vê assistindo mais vídeos verticais hoje em dia?




– Júlia Bechara

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